24
Fev
12

Terminal Bar, 8:41

A estrutura é um conceito que resulta de uma combinação que é ainda um mistério. Talvez devido a isso, ocorrem destruturações que também o são e que vêm agregar-se ao complicado sistema inventado pelos romanos.

Talvez por ter acontecido por volta das 8:41, um bocadinho antes e um bocadinho depois, poderia vir a ser um facto mundial. O problema é que lhe faltava tudo o resto para que pudesse vir a sê-lo. E sem isso, nada feito, apesar de estar sol.

A pergunta foi feita, de forma natural e aparentemente despreocupada. A voz não tremeu e o ar não a abafou.

- Não estou a pensar.

17
Fev
12

Abaixo da linha

Estava escuro e as luzes de uma cidade adormecida deixavam ver que a dignidade não é uma nebulosa noção filosófica sem contornos ou um conteúdo determinado.

Numa encruzilhada delicada da vida, no escuro de uma cidade iluminada, há verdades que se apresentam com a sua natureza incondicional e a ideia de que a dignidade separada da liberdade individual é uma dignidade periclitante, é uma delas.

Por via dos meus atributos intrínsecos e pela filosofia kantiana da minha avó, faz tempo que agarrei com punho firme uma linha que até hoje nunca larguei. Essa linha, pode não servir para nada mas enquanto a tiver comigo, haverá sempre um canalha a menos no globo terráqueo.

O meu corpo, esse, até pode morar debaixo da ponte.

15
Fev
12

Chicotada quiet emotional

As coisas do ser e as luzes da cidade bem poderiam ser o enquadramento deste momento de vida.

Por opção ou falta de convicção, aplica-se retrospectivamente uma pena enquanto outra pena [abençoadas palavras homónimas que me permitem escrever posts tão elevados como este] parece guiar a prossecução da convicção de que não se quer abrir mão.

A desfragmentação, pela incoerência intrínseca,  daquilo que se apresenta como um disparate, parece carecer de paternalismo, como se diz algures na noite, às 04h da manhã de uma união de afectos.

- Chicoteada a consciência, aplique-se a pena!

 

11
Fev
12

-5 e thimar no ar

Serviram-se de uma sopa quente e pão com manteiga.  A seguir, de forma demorada, os corpos protegeram-se antes de se entregarem ao frio e sob uma cumplicidade azul em forma de céu, partiram.

Em dias cheios, as metáforas são imagens e as imagens alternativas de uma missiva cheia de mim.

É assim numa espécie de dança que dançamos. [ou a esperança]

29
Jan
12

Há coisas que não se dizem aos domingos

Andando a tentar perceber como se processava a simbolização dos perigos na minha vida desconfiei logo quando encontrei a disforia. Encontrei-a numa das ranhuras do meu pensamento intuitivo, atarefada a construir uma espécie de casulo para que a má consciência aí se pudesse esconder durante uns tempos.

Quando lhe perguntei o que estava a ali a fazer não hesitou e respondeu:

- “a preparar-me para dar cabo de ti daqui a uns anos

Há coisas que não se dizem aos domingos.

PS: Sim, ando a ler  Schopenhauer e não a vou deixar fazer isso.

28
Jan
12

Sob acusação de um delito putativo

Quando o vento frio da montanha me bate na cara, percebo tão bem que a tipicidade não é parte integrante do meu EU. O meu ingrediente base é mesmo atípico o que me torna mais … [adjectivar, a gosto].

Do cimo dos 5.000 m de altura, quase metade submersa sob as águas, vejo que as evidências são amplas e apontam para a necessidade de pintar o passado recente com outras cores.

A elas podemos juntar o espectro adicional das grandes pessoas em vez de sucumbir sob a acusação de um delito putativo.

I can do it!

 

17
Jan
12

A cimeira do precipício

A questão crucial remete-nos para o que sentem os corpos quando estão juntos.

Não sendo fácil viver do conflito entre o erróneo de que nos impregnamos, as fraquezas de que somos feitos e as sujidades que proporcionamos, aceita-se um herói, capaz de contornar o erróneo, de aceitar as fraquezas e de sobreviver à sujidade do processo.

Dê-se tempo e uma paz instituída que a sabedoria virá.

16
Jan
12

um equívoco reiterado

A imprecisão ocorre quando falamos de historicidade e de laços afectivos sob a forma de corrente de ar entre os totalitarismos e as crises.

Nesses momentos, em todos os embates de palavras, está sempre implícita uma narrativa, propriedade de cada uma das pontas dos laços.

Uma delas, a minha, quase que colapsa ao tentar manter-se vertical, a outra, a tua, deixa adivinhar outro entendimento, fortemente apoiado em razões filosófico-morais que não partilho. Ambas são um estado presente consequência do passado.

Sem mais delongas, digo, tempos quase irreais, estes.

 
08
Jan
12

tentativa de expiação marginal

06.28h

A má fama do niilismo e do problema do Ser deixou quase intacta uma tentativa de expiação de uma culpa ligeira, levemente ancorada num passado recente.

07.28h

De pé, em frente ao espelho, experimenta-se com maior desencantamento essa espécie de espaço interior ainda enevoado pelas questões, quase marginais, de um pequeno-almoço que nos espera.

08.28h

Enquanto se olha a torrada, em busca de um sentido, se da existência se da essência, juntam-se as palmas das mãos num acto de conforto mútuo.

Não fora a negação do desperdício da força vital na tentativa de expiar uma culpa que há muito caira em desuso, o tempo podia ser muito mais do que uma mentira convencional.

09.28h

- “Se Deus está morto, então tudo é permitido”.

05
Dez
11

de pé, virado para o espelho

De pé, virado para o espelho que me devolvia o meu Eu colado ao chão, ali estava eu, de um tamanho demasiado para ousar sequer respirar ainda que a inércia vinda dos pulmões não me deixasse desistir. Resolvi ter uma conversa comigo próprio.

- É-me difícil abandonar-te! Dificilmente o irei fazer. Só se morrer e, isso pode acontecer.

- Podias dizer-mo. Eu sei que um punhado de terra não basta e o suicídio é uma perca de tempo. Talvez fosse bom. Para mim, acho que sim, que seria.

- Sabes, está frio e eu tenho daquele medo que me faz medo de vez em quando, lá longe. É isso que não me deixa ir e que me desassossega os dias e as noites.

- Não mates aquilo que nos liga. Está a chover e ontem foi domingo.




não dá para ver? deixe lá, não ia perder grande coisa

I’m fine

distopicamente

 

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