29
Jan
12

Há coisas que não se dizem aos domingos

Andando a tentar perceber como se processava a simbolização dos perigos na minha vida desconfiei logo quando encontrei a disforia. Encontrei-a numa das ranhuras do meu pensamento intuitivo, atarefada a construir uma espécie de casulo para que a má consciência aí se pudesse esconder durante uns tempos.

Quando lhe perguntei o que estava a ali a fazer não hesitou e respondeu:

- “a preparar-me para dar cabo de ti daqui a uns anos

Há coisas que não se dizem aos domingos.

PS: Sim, ando a ler  Schopenhauer e não a vou deixar fazer isso.

28
Jan
12

Sob acusação de um delito putativo

Quando o vento frio da montanha me bate na cara, percebo tão bem que a tipicidade não é parte integrante do meu EU. O meu ingrediente base é mesmo atípico o que me torna mais … [adjectivar, a gosto].

Do cimo dos 5.000 m de altura, quase metade submersa sob as águas, vejo que as evidências são amplas e apontam para a necessidade de pintar o passado recente com outras cores.

A elas podemos juntar o espectro adicional das grandes pessoas em vez de sucumbir sob a acusação de um delito putativo.

I can do it!

 

17
Jan
12

A cimeira do precipício

A questão crucial remete-nos para o que sentem os corpos quando estão juntos.

Não sendo fácil viver do conflito entre o erróneo de que nos impregnamos, as fraquezas de que somos feitos e as sujidades que proporcionamos, aceita-se um herói, capaz de contornar o erróneo, de aceitar as fraquezas e de sobreviver à sujidade do processo.

Dê-se tempo e uma paz instituída que a sabedoria virá.

16
Jan
12

um equívoco reiterado

A imprecisão ocorre quando falamos de historicidade e de laços afectivos sob a forma de corrente de ar entre os totalitarismos e as crises.

Nesses momentos, em todos os embates de palavras, está sempre implícita uma narrativa, propriedade de cada uma das pontas dos laços.

Uma delas, a minha, quase que colapsa ao tentar manter-se vertical, a outra, a tua, deixa adivinhar outro entendimento, fortemente apoiado em razões filosófico-morais que não partilho. Ambas são um estado presente consequência do passado.

Sem mais delongas, digo, tempos quase irreais, estes.

 
08
Jan
12

tentativa de expiação marginal

06.28h

A má fama do niilismo e do problema do Ser deixou quase intacta uma tentativa de expiação de uma culpa ligeira, levemente ancorada num passado recente.

07.28h

De pé, em frente ao espelho, experimenta-se com maior desencantamento essa espécie de espaço interior ainda enevoado pelas questões, quase marginais, de um pequeno-almoço que nos espera.

08.28h

Enquanto se olha a torrada, em busca de um sentido, se da existência se da essência, juntam-se as palmas das mãos num acto de conforto mútuo.

Não fora a negação do desperdício da força vital na tentativa de expiar uma culpa que há muito caira em desuso, o tempo podia ser muito mais do que uma mentira convencional.

09.28h

- “Se Deus está morto, então tudo é permitido”.

05
Dez
11

de pé, virado para o espelho

De pé, virado para o espelho que me devolvia o meu Eu colado ao chão, ali estava eu, de um tamanho demasiado para ousar sequer respirar ainda que a inércia vinda dos pulmões não me deixasse desistir. Resolvi ter uma conversa comigo próprio.

- É-me difícil abandonar-te! Dificilmente o irei fazer. Só se morrer e, isso pode acontecer.

- Podias dizer-mo. Eu sei que um punhado de terra não basta e o suicídio é uma perca de tempo. Talvez fosse bom. Para mim, acho que sim, que seria.

- Sabes, está frio e eu tenho daquele medo que me faz medo de vez em quando, lá longe. É isso que não me deixa ir e que me desassossega os dias e as noites.

- Não mates aquilo que nos liga. Está a chover e ontem foi domingo.

27
Nov
11

por defeito

Reorganização da ordem

Por defeito, intenso e dedicado.

Por ordem, a fuga e por fim a morte.

De esmagamentos, feito.

07
Out
11

tortoise from inside

Hoje, importa-me o pensamento complexo e a causalidade das coisas. O ser pensante, é algo de irrelevante para o caso, mas anyway,  não é para todos.

Hoje é um dos muitos dias após a injúria. Um dia, em que os linfócitos por não saberem exactamente que papel desempenhar, comprometem a cicatrização.

Morfologicamente falando, são os meandros dos rios aconchegados entre salgueiros protectores. Simbolicamente falando, são as nuances que levemente distinguem aquilo que é distinto. Do ponto de vista da alma, são decerto os refegos e o pó que aí se deposita.

Num dia como hoje, importa pegar num molho de neurónios e esfregá-los no sentido do coração para ver se há restabelecimento do fluxo sanguíneo e da oxigenação. Caso não funcione, é sempre possível manipular a cicatrização superando-se os problemas de tensão sendo que o conteúdo aquoso diminui e a derrota total se instala.

19
Set
11

pathetique post

Tendo acordado no meio de um campo de forças que faria roer de inveja todo o candidato a K. Lewin, a inevitabilidade da escrita é claramente uma alternativa ao pequeno-almoço. Assim sendo, deixe-mo-la acontecer. O cenário escolhido não será localizado em latitudes nem em longitudes e isso, por opção e por todo um conjunto de irrelevâncias pertinentes num dia como hoje.

O Ser, pode ser de qualquer sexo, desde que seja.

A coisa, isso é de uma complicação simples. É feita de contrários, mais exactamente da aceitação do jogo dos contrários de que o mundo é composto e para o qual não se vislumbra uma solução satisfatória. Para tornar a coisa ainda mais assustadoramente absurda, os contrários estão ali, aos olhos de todos. Suspensos numa linha, como num estendal, balouçam ora para o lado das forças, ora para o das fraquezas. São as pontas das efabulações feitas pelo Ser que ajudado por outro Ser, se colocou a descoberto do amor.

E não, não se tratou de desamor, mas de falta de palavras.

(Se bem calha, melhor será, num dia como hoje, desatar a ler Maria Adelaide de M. Teixeira Gomes).

PS: postagem sob o efeito,  pateticamente gisante et analgisante, do conceito.

08
Ago
11

natural A-dreams

uma festa, uma ilha, uma mão, uma boca, uma musica, uma noite.




não dá para ver? deixe lá, não ia perder grande coisa

I’m fine

distopicamente

 

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